Corda do Círio 2026 produzida em Castanhal será entregue nesta quarta-feira (23)
🟡 GUIA DE CASTANHAL |
Produzida pela Companhia Têxtil de Castanhal com fibras de malva amazônica, corda que será utilizada no Círio e na Trasladação tem 800 metros e segue para Belém após cerimônia de entrega
Por Berna Lameira
Um dos maiores símbolos do Círio de Nazaré tem, mais uma vez, Castanhal como ponto de partida. A corda que será utilizada nas procissões do Círio e da Trasladação de 2026 será oficialmente entregue à Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) nesta quarta-feira (23), em cerimônia marcada para as 9h, em Castanhal.
Pelo quarto ano consecutivo, a corda é produzida integralmente no Pará pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) e doada à Diretoria da Festa de Nazaré.
Após a entrega, o material seguirá para Belém, com chegada prevista por volta das 11h30. A corda ficará guardada na Estação Luciano Brambilla até sábado (26), quando será submetida à vistoria da DFN e da Guarda de Nazaré.
800 metros de um dos maiores símbolos do Círio
Produzida com fibras de malva amazônica, a corda tem 800 metros de comprimento, divididos em duas partes de 400 metros: uma destinada à Trasladação e outra ao Círio.
O material possui ainda 60 milímetros de diâmetro e já sai da produção adaptado às estações de metal utilizadas durante o traslado das berlindas nas romarias.
A revisão será realizada a partir das 15h de sábado, no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré, em Belém. Durante o procedimento, serão verificados itens como nós, argolas e estações, além da medição completa dos 800 metros.
Depois da vistoria, a corda destinada à Trasladação ficará exposta na Estação Luciano Brambilla. Já o trecho que será utilizado no Círio seguirá para exposição na Estação das Docas. O público poderá visitar os espaços até 11 de outubro.
Da malva paraense para as mãos dos promesseiros
A produção da corda em Castanhal começou em 2023, substituindo o modelo utilizado anteriormente, que era confeccionado em sisal e produzido em Santa Catarina.
Desde então, a malva amazônica passou a ser a matéria-prima do símbolo. A fibra utilizada atualmente é cultivada em mais de 20 municípios paraenses, por meio de projetos de agricultura familiar que envolvem mais de mil famílias.
O processo até a corda chegar às mãos dos fiéis envolve diferentes etapas, começando pela produção e colheita da fibra nas comunidades fornecedoras e seguindo pela transformação industrial realizada em Castanhal.
Além da fabricação da própria corda, a CTC também realiza sua preparação para utilização nas romarias, incluindo o entrelaçamento e a estrutura necessária para o acoplamento às estações.
Uma tradição que começou em 1885
A corda integra a história do Círio de Nazaré desde 1885. Naquele ano, uma enchente atingiu a região da orla de Belém durante a procissão e a berlinda ficou atolada.
Diante da dificuldade para seguir o percurso, os animais utilizados para puxá-la foram desatrelados e uma corda foi disponibilizada para que os próprios fiéis ajudassem a movimentar a berlinda.
O que surgiu como solução para um imprevisto tornou-se uma das imagens mais marcantes da maior manifestação religiosa do Pará.
Mais de 140 anos depois, a corda permanece como símbolo da ligação entre Nossa Senhora de Nazaré e os devotos. E, desde 2023, carrega também outra marca paraense: é produzida em Castanhal, com fibra cultivada no próprio Pará, antes de seguir para as mãos dos promesseiros durante o Círio.
Com informações da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN).

